terça-feira, 30 de junho de 2009

A arte chora por Pina Bausch - A coreógrafa alemã morre em 30 de junho de 2009 - Pina tu serás eterna!!!


A coreógrafa e bailarina alemã Pina Bausch morreu na manhã de hoje (30/06), aos 68 anos, na Alemanha. A notícia foi dada por um porta-voz do Tanztheater Wuppertal, companhia dirigida pela artista, que informou que a artista soube que estava com câncer há apenas cinco dias.

Pina nasceu em 27 de julho de 1940, em Solingen, na Alemanha. Começou seus estudos em dança em 1955, na escola Folkwang, de Essen, e depois foi para Nova York. Regressou à Alemanha em 1962 para integrar a companhia de Kurt Jooss, onde começou a desenvolver a dança-teatro que revolucionou a forma de dançar e tornou seu trabalho admirado em todo o mundo. Desde 1973 ela dirigia o Tanztheater Wuppertal, com o qual dançou no último domingo (28/06).

Entre as produções mais conhecidas de Pina estão Komm tanz mit mir (1977), Keuschheitlegende (1979), Café Müller (1978) e a versão de A Sagração da Primavera (1975). Em 2007, ela ganhou o Prêmio Kyoto, em homenagem a sua obra, que rompeu as fronteiras entre dança e teatro. Em setembro está programada a vinda do Tanztheater Wuppertal a São Paulo, quando será apresentado o mesmo programa que a companhia trouxe ao Brasil em 1980 (primeira turnê brasileira), com Café Müller e A Sagração da Primavera.

Leia também: Dançar afetos com a cidade: Pina Bausch, Tanztheater Wuppertal e Istambul, escrito pela pesquisadora Bianca Scliar Mancini

Uma conversa com Pina Bausch, entrevista com a artista publicada em maio de 2007 na revista Obscena.

E assista, na galeria do idança, a um trecho da versão do Tanztheater Wuppertal para A sagração da primavera.


Tags: Pina Bausch


A seguir os vídeos mais populares da arte de Pina Bausch. Cenas de "Café Müller" e da versão de "A Sagração da Primavera".


Café Müller



A Sagração da Primavera

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Senhoras e Senhores: Edith Piaf


“Permitam-me dizer que a sra. Edith Piaf é um gênio. É inimitável. Nunca houve e nem nunca mais haverá outra Edith Piaf. Ela é uma estrela que se devora na solidão noturna do céu da França. É ela que contemplam os casais abraçados que ainda sabem amar, sofrer e morrer. Como será que ela canta? Como se expressa? Como tira do peito magro os grandes lamentos da noite? E eis que ela começa a cantar ou, melhor, que, como faz o rouxinol de abril, ela ensaia seu canto de amor. Uma voz que sai das entranhas, voz que percorre dos pés à cabeça, desencadeia uma enorme onda de veludo negro. Essa onda quente nos submerge, atravessa e invade. A magia está feita. Edith Piaf, como um rouxinol invisível pousado no galho, vai também tornar-se invisível. Dela só restarão o olhar, as mãos pálidas, a testa de cera que concentra a luz, e a voz que infla, sobe, pouco a pouco e substitui e, crescendo como sua sombra na parede, toma gloriosamente o lugar da menina tímida. Nesse minuto, o gênio que é a sra. Edith Piaf torna-se visível, e todos o constatam. Ela se supera. Supera suas canções, supera a música e a letra. Ela nos supera. A alma da rua penetra em todos os quartos da cidade. Já não é a sra. Edith Piaf que canta: é a chuva que cai, é o vento que sopra, é o luar que estende seu manto.”


Pesquisa: Processo Criativo do espetáculo "Piaf: Accord a Corps", do Núcleo Atmosfera de Dança-Teatro com previsão de estréia em janeiro de 2010.

Fonte- Piaf: no baile do acaso / Édith Piaf; prefácio de Jean Cocteu - Ed Martins Fontes. São Paulo, 2007.

sábado, 13 de junho de 2009

Nos Bastidores das Cores

Não imaginem o que esse elenco apronta antes de entrar em cena. Temos uma variedade de "pataquadas". A Rosa começa e Valda se envolve no jogo (faltou o tutu das clássicas do Corsário). Marina filmando todos os detalhes do Corsário e outras loucuras simultâneas. Enquanto isso, o diretor do espetáculo está louco sem as luzes negras da última cena e Francisco está preocupado com os detalhes dos bastidores. Milena preperando a iluminação com Raimundão. Ação, preparação, arte de descontração.



quinta-feira, 11 de junho de 2009

Dança e Cores de Frida: Inara Rodrigues (Caderno Ímpar.Jornal "O Imparcial". 27/05/2009)




Desde 2005, o Núcleo Atmosfera de Dança-Teatro tem levado aos palcos dos teatros de São Luís a vida de mulheres que fizeram história nos mais variados seguimentos artísticos. A escolhida da vez é a artista plástica mexicana Frida Kahlo, cuja obra revolucionária e todo o seu universo artístico serão retratados através do corpo, do movimento e da fala de 15 atores-bailarinos no espetáculo As Cores de Frida, que será reapresentado amanhã, dia 28, às 20h, no Teatro Arthur Azevedo. A peça é a primeira montagem de conclusão do Curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Maranhão e deu ao diretor, ator e bailarino Leônidas Portella a nota máxima de sua banca examinadora.

As Cores de Frida é resultado do trabalho desenvolvido pelos alunos da oficina de dança-teatro ministrada por Leônidas Portella, durante o projeto Ação Cultural em Teatro, coordenado pelo professor doutor Aarão Paranaguá. O elenco é formado pelos atores-dançarinos Alex Liberato, Geraldine Gauthier, Helena Travassos, Hemia Cortes, Joseane Oliveira, Karla de Jesus, Klayse Toshimi, Leandro Mendes, Marina Correa, Neusa de Paula, Nina Araújo, Rosa Ewerton, Thaís Brito, Timóteo Cortes e Valda Lino. Segundo Leônidas Portella, a montagem tem por base uma pesquisa sobre dança-teatro alemã, contextualizada a partir de releituras de pinturas, cartas e quadros da pintora Frida Kahlo (1907-1854), considerada uma revolucionária artística, sexual, política e social. A escolha da obra da pintora deu-se pelo fato de a mexicana ter se destacado no cenário artístico mundial. “Seguimos uma linha de trabalho muito relacionada à temática da mulher e sua valorização na sociedade e sempre escolhemos mulheres fortes, com histórias dramáticas e finais trágicos. Assim foi no nosso primeiro espetáculo, que foi As Mulheres de Shakespeare e em todos os outros que seguiram. Estamos trazendo a imagem de Frida por toda a sua história, sua vida conturbada e seu início tardio nas artes plásticas por conta do seu acidente e de suas doenças.



De acordo o diretor e coreógrafo, a encenação é dividida seguindo os momentos-chave da biografia de Frida – o acidente que a deixou com inúmeras fraturas, e para as quais foram realizadas mais de 30 cirurgias reparativas; o encontro amoroso com o muralista Diego Rivera; o envolvimento com o Partido Comunista mexicano; os relacionamentos homossexuais da artista, e, por fim, sua morte. As cenas são representadas pelas cores amarela, verde, vermelha e preta.
Com 70 minutos de duração, o espetáculo conta com pequenas intervenções sonoras. No trecho representativo ao acidente sofrido por Frida, o som do filme “Frida”, estrelado pela atriz Salma Hayek, é usado para criar a atmosfera dramática. A trilha também é composta por duas músicas, interpretadas pelas cantoras Chavela Vargas e Angélique Ionatos. A maior parte do espetáculo é marcada pela respiração dos atores-dançarinos.


Frida Kahlo


Filha do fotógrafo judeu-alemão Guillermo Kahlo e de Matilde Calderón e Gonzalez, uma mestiça mexicana, Frida teve uma vida de percalços. Em 1913, com seis anos, contrai poliomielite, sendo esta a primeira de uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofre ao longo de sua vida. A poliomielite deixa uma lesão no seu pé direito e, graças a isso, ganha o apelido Frida pata de palo (ou seja, Frida perna de pau). A partir disto, ela começou a usar calças e, depois, longas e exóticas saias, que vieram a ser uma de suas marcas pessoais. Ao contrário de muitos artistas, Kahlo não começou a pintar cedo. Embora o seu pai tivesse a pintura como um passatempo, Frida não estava particularmente interessada na arte como uma carreira. Entre 1922 e 1925 frequenta a Escola Nacional Preparatória do Distrito Federal do México e assiste a aulas de desenho e modelagem. Em 1925, aos 18 anos aprende a técnica da gravura com Fernando Fernandez. Porém, sofreu um grave acidente. Um ônibus no qual viajava chocou-se com um trem, acidente que fez a artista ter de usar vários coletes ortopédicos de materiais diferentes, chegando inclusive a pintar alguns deles (por exemplo o colete de gesso na tela intitulada "A Coluna Partida"). Por causa desta última tragédia, fez várias cirurgias e ficou muito tempo acamada. Durante a sua longa convalescência começou a pintar com uma caixa de tintas que pertenciam ao seu pai, e com um cavalete adaptado à cama.
Em 1928 quando Frida Kahlo entra no Partido comunista mexicano, ela conhece o muralista Diego Rivera, com quem se casa no ano seguinte. Sob a influência da obra do marido, adotou o emprego de zonas de cor amplas e simples num estilo propositadamente reconhecido como ingênuo. Procurou na sua arte afirmar a identidade nacional mexicana, por isso adotava com muita freqüencia temas do folclore e da arte popular do México. Entre 1930 e 1933 passa a maior parte do tempo em Nova Iorque e Detroit com Rivera. Entre 1937 e 1939,Leon Trotski (revolucionário russo) vive em sua casa de Coyoacan. Em 1938, André Breton qualifica sua obra de surrealista em um ensaio que escreve para a exposição de Kahlo na galeria Julien Levy de Nova Iorque. Não obstante, ela mesma declara mais tarde: "pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade". Em 1939 expõe em Paris na galeria Renón et Colle. A partir de 1943 dá aulas na escola La Esmeralda, no D.F. (México).Em 1953 a Galeria de Arte Contemporânea desta mesma cidade organiza uma importante exposição em sua honra.
Alguns de seus primeiros trabalhos incluem o "Auto-retrato em um vestido de veludo" (1926), "retrato de Miguel N. Lira" (1927), "retrato de Alicia Galant" (1927) e "retrato de minha irmã Christina" (1928).
Depois de algumas tentativas de suicídio, em 13 de julho de 1954, Frida Kahlo, que havia contraido uma forte pneumonia, foi encontrada morta. Seu atestado de óbito registra embolia pulmonar como a causa da morte, mas não se descarta que ela tenha morrido de overdose, que pode ter sido acidental ou não. A última anotação em seu diário que diz "Espero que minha partida seja feliz e espero nunca mais regressar - Frida" permite aventar-se a hipótese de suicídio. Pesquisadores com base na autópsia de Frida acreditam ter sido envenenada por uma das amantes de seu então marido. Diego Rivera descreveu em sua auto-biografia que o dia da morte de Frida foi o mais trágico de sua vida. Quatro anos após a sua morte, sua casa familiar conhecida como "Casa Azul" transforma-se no Museu Frida Kahlo. Frida Kahlo, reconhecida tanto por sua obra quanto por sua vida pessoal, ganha retrospectiva de suas obras, com objetos e documentos inéditos, além de fotografias, desenhos, vestidos e livros.


ESTUDOS


A formação do Núcleo Atmosfera de Dança-Teatro deu-se em junho de 2005, integrado por alunos da primeira turma do curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Maranhão. A palavra “atmosfera”, segundo o Dicionário de Teatro de Ubiratan Teixeira, significa clima emocional que dá característica da cena ou espetáculo inteiro. Para o grupo, significa clima emocional que dá a característica pessoal da vida de cada intérprete em cena. “Dançar é alcançar a atmosfera da alma num infinito verdadeiro” – afirma Leônidas Portella, coordenador do núcleo.
Em suas propostas o intérprete-criador é convidado a experimentar possibilidades expressivas através da pesquisa do movimento que o corpo é capaz de produzir na cena contemporânea. Princípios metodológicos da dança expressionista de Rudolph Von Laban, Mary Wigman e Pina Bausch, assim como o Teatro de Jerzy Grotowski e Bertolt Brecht fundamentam a construção desta pesquisa de linguagem. Nesta perspectiva, a memória de referências históricas e artísticas contextualizada aos conflitos humanos e sociais torna-se o principal elemento de investigação para o intérprete-criador.

O Núcleo Atmosfera segue a linha da dança-teatro alemã, uma vertente da dança contemporânea. É uma linguagem artística que surgiu no pós-guerra, nas primeiras décadas do século XX. Inicialmente desenvolvida por Rudolf Von Laban, tem como principal objetivo o delineamento de uma linguagem apropriada ao movimento corporal, com aplicações teóricas, coreográficas, educativas e terapêuticas. Da primeira geração pós-guerra até os dias atuais, a coreógrafa alemã Pina Bausch é a líder mundial da dança-teatro. Em seu processo de trabalho, ela busca desarranjar formas e estruturas fixas impostas ao corpo no universo da dança e na própria sociedade.

A pesquisa do Atmosfera resultou nas seguintes montagens: As Mulheres de Shakespeare (2006), Retrato de Mulher Triste (2007), Sonetos (2008), Solo Solidão (2008) e As Cores de Frida (2009). Para estréia ainda este ano o grupo terá Escarlate, previsto para agosto; Debaixo da Pele a Lua, sobre contos de Marina Colasanti, previsto para outubro; e Piaf: Accord a Corps, sobre a vida da cantora francesa Edith Piaf¸ também para outubro.