sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Calendário 2010


07 de janeiro – Aniversário de um ano do espetáculo “As Cores de Frida”;
01 a 05 de março – Espetáculo “60’Safira no Casarão das Ilusões CACEM”;
24 de março – Espetáculo “As Cores de Frida” na V Semana do Teatro no Teatro Arthur Azevedo;
25 de março – Espetáculo “60’Safira no Casarão das Ilusões” na V Semana do Teatro no Teatro Arthur Azevedo;
23 a 27 de março – Técnica de Viewpoints na V Semana do Teatro no CACEM;
Abril a maio – Laboratório de Criações no CACEM;
29 de abril – Casamento de Rosa Ewerton com Francisco Jara no Circo da Cidade;
30 de abril – Espetáculo “Maria Menina” no SESC Deodoro;
21 de maio – Mostra de processo criativo do espetáculo “As Mulheres de Shakespeare” no Conexão Dança na sala da Olinda Saul;
06 de junho – Espetáculo “As Cores de Frida” beneficente no Teatro Arthur Azevedo;
25 de junho – Aniversário de 05 anos do Núcleo Atmosfera;
27 de julho – Estreia do espetáculo “As Mulheres de Shakespeare” na comemoração do Atmosfera 5 anos no Teatro Arthur Azevedo;
28 de julho – Espetáculo “As Cores de Frida” na comemoração do Atmosfera 5 anos no Teatro Arthur Azevedo;
29 de julho – Espetáculo “60’Safira no Casarão das Ilusões” na comemoração do Atmosfera 5 anos no Teatro Arthur Azevedo com Atmosfest na Boate Metal SLZ;
03 a 05 de agosto – Circulação SESC Amazônia das Artes Mato Grosso;
05 a 07 de agosto – Circulação SESC Amazônia das Artes Rondônia;
07 a 09 de agosto – Circulação SESC Amazônia das Artes Amazonas;
09 a 11 de agosto – Circulação SESC Amazônia das Artes Pará;
11 a 13 de agosto – Circulação SESC Amazônia das Artes Tocantins;
16 a 17 de setembro – Circulação SESC Amazônia das Artes Piauí;
29 de outubro – Experimento para o espetáculo “Vem Cá Curiá” na V Mostra SESC Guajajara;
11 a 13 de novembro – Circulação SESC Amazônia das Artes Acre;
10 de dezembro – Experimentação performática “Sinal” no semáforo do Terminal da Praia Grande;
11 de dezembro – Experimentação performática “Outros Ares” na praça Gonçalves Dias;
12 de dezembro – Experimentação performática do grupo: Marina, Claúdia, Gilberto, Valeria e Valda e experimento para o espetáculo “Vem Cá Curiá” no “Sou Brasil, Eu Danço” no Teatro Alcione Nazaré;
17 de dezembro – Disciplina de direção com Thatielle e convidadas Neusa, Rosa, Cleyce e Marina com trecho da peça “A Casa de Bernarda Alba” de Federico Garcia Lorca;
18 de dezembro – MO.VER-SE Instalação de Movimento no Laborarte com o “O Tempo Sobre Mim” e experimento para o espetáculo “Vem Cá Curiá”;
23 de dezembro – Prêmio Olinda Saul de Dança: Indicação Trabalho de Pesquisa para Leônidas Portela;
30 de dezembro – Prêmio SATED 2010: Indicações para Melhor Espetáculo, Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Ator, Melhor Iluminação.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

OUTROS ARES - DESCRITIVO DE SENSAÇÕES

Fazer sem saber o que vai ser feito. Esse é a maior desafio para o intérprete.

PROPOSTA INICIAL: Todos vestidos como para dançar um tango, roupa de luxo, maquiagem, toda preparação para o inesperado, o desconhecido.

Foi a princípio como se eu estivesse na coxia, esperando a cortina abrir, aquela mesma sensação, frio na barriga, vontade de fazer xixi (risos), sensação normal, porém uma certeza, diferente do espetáculo ensaiado, não sabemos o que vai acontecer ou o que pode acontecer.

A praça não intimidou, pelo contrário foi atraente a idéia, desafiante, assim como o traje, sandália de salto, vestido, o que torna a execução dos movimentos mais cuidadosos. Um passo simples de tango origina uma coreografia quando todos os dançarinos-atores os executam ao mesmo tempo, a música como estímulo faz configurar-se uma dança completa: o corpo dança, as árvores dançam, o vento dança com você, os bancos se movimentam, tudo vira dança, tudo dança.

O contato com o ambiente proporciona um sentimento de segurança, quando você não se acanha diante dele, e ao mesmo tempo um sentimento de vulnerabilidade, o ambiente está totalmente no comando do seu corpo, você cria e se adapta a ele.

A relação com seu parceiro de cena é espontânea, mas responsável, há um cuidado, um apoio no contato improvisação, uma liberdade no permitir e ser permitido, há cumplicidade.

A relação com o público, transeunte, passivo, ativo, presente em momentos sim outros não, observador, crítico, é uma experiência única, intransponível. Lhes é dado o direito ou a oportunidade de ser cena, de participar da cena, mesmo que ele ignore tudo o que acontece, ele faz parte do espetáculo. O público revela, dessa forma, que a arte, que a dança, a dança-teatro, são intrinsecamente humanas.

Por Marinildes Brito

domingo, 19 de dezembro de 2010

OUTROS ARES

Experimentação na praça Gonçalves Dias, éramos pra ir de traje social e salto alto, mais uma vez não sabíamos o que seria feito lá. Participaram dessa experimentação: eu, Rosa Ewerton, Cleyce Colins, Thatielle Abreu, Marinildes Brito, Luis Ferreira e Valeria Mendonça. Chegamos no final da tarde, o pôr-do-sol estava belíssimo e a praça habitada por casais, crianças, skatistas, formandos. As instruções foram coladas em uma palmeira no centro da praça. O desconhecido é o maior desafio, permitir se deixar levar pelos acontecimentos, viver o agora e encontrar resoluções para os imprevistos, tudo isso foi vivido intensamente por mim. Brincar com minha sombra na grama foi muito agradável, apesar do incômodo de estar com salto alto, deu pra aproveitar bastante. Duas pessoas que nos assistiam lá no alto fizeram sombra onde eu estava e interagi com suas sombras, até que estas perceberam e fugiram de mim. Gostaria de ter passado mais tempo lá. O estranhamento do público iniciou quando cada intérprete se locomovia pela praça com um passo simples de tango, a receptividade deles foi positiva. E mesmo sendo intérpretes, Leônidas pediu que não houvesse representação, que fôssemos naturais. Ele nos deu estímulos sonoros vindos do som de um carro , músicas lindas, se encaixaram perfeitamente nas movimentações. Conversei com uma criança para depois dançar a nossa conversa, o mais bonito de tudo foi que ela imitou todos os movimentos que fiz junto com suas amiguinhas. Quando foi se despedir de mim não tive como ignorar essa criança linda! Um dos meus saltos descolou na hora do contato improvisação, lembrei que mais tarde iríamos correr pela praça, então forcei o outro salto e quebrei. Ainda não me sinto a vontade no contato improvisação, talvez por falta de um pouco mais de pesquisa. A improvisação em dupla no banco com Thatielle foi livre, espontânea e gostosa de fazer, nossos movimentos fluiam sem nenhum bloqueio, conversávamos pelo olhar. O momento mais bonito aconteceu no centro da praça, ao redor da estátua de Gonçalves Dias, com uma música instigante onde todos os intérpretes dançaram livres. A iluminação da praça ajudou muito, ficou maravilhosa. As crianças foram nossos melhores espectadores, estavam o tempo inteiro interagindo, observando, comentando. Os skatistas também estavam abertos a apreciar uma linguagem que eles não conheciam, na verdade, todos ali presentes. Nos despedimos ao som de Bésame Mucho beijando nossos corpos, lindo!

SINAL

Sinal. Leônidas convidou todos os integrantes do Núcleo Atmosfera a comparecer no semáforo do
"Pare"
Terminal de Integração da Praia Grande em São Luís do Maranhão para uma experimentação performática em paisagem urbana, todos deveriam ir de calça e tênis e as meninas de cabelos amarrados, nada mais foi dito. Sou muito curiosa e esse mistério gerou
grande ansiedade em mim. Participaram dessa experimentação seis integrantes: eu, Rosa Ewerton, Cleyce Colins, Timóteo Cortes, Alex Liberato, Luís Ferreira. Quando Leônidas sentou para nos dar as orientações, eu era pura adrenalina! A primeira pergunta feita por ele foi: "O que vocês estão sentindo nesse momento?". Eu respondi ansiedade e adrenalina. A maioria estava ansioso. Ele abriu um envelope amarelo e dentro dele haviam dois blocos com dez palavras impressas. Primeiro entregou a cada integrante uma palavra para colar no semáforo do pedestre, depois isso foi feito em dupla do outro lado da pista. A curiosidade era tanto dos integrantes como de quem passava por lá e viam as palavras coladas, a nossa presença já causava estranhamento. Depois de Leônidas explicar cada palavra colada, iniciamos. "Pare". Esse foi o momento mais tenso pra mim, ficar parada na faixa de pedestres com todos nos observando, meu coração batia a mil por hora e minha respiração estava ofegante. Uma imagem marcante nesse momento foram as pessoas dentro do ônibus se levantando para ver o que estava acontecendo. "Círculos com o corpo" Me senti insegura por não sabe era pra fazer no lugar ou em deslocamento, ainda estava com o corpo tímido. Com o decorrer das indicações, meu corpo começou a se acostumar com a novo espaço cênico e foi tudo muito prazeroso e intenso. Eram apenas 25 segundos de sinal fechado, tentei aproveitar ao máximo cada segundo e a espera para o sinal abrir novamente parecia eterna!
"Corra e abrace"
A gente não podia se comunicar, somente o necessário. É desafiador estar do lado de alguém que conhecemos sem poder comentar nada do que estávamos fazendo e também manter a concentração num espaço aberto. Escutei uma senhora dizendo: "Se tivessem o que fazer, não estavam fazendo isso." Teve também um senhor muito simpático que nos aplaudiu enquanto executávamos os movimentos. Nossa plateia interagiu bastante conosco, alguns nos imitaram, outros gritaram junto, se assustaram, correram, tiraram fotos, após atravessarem o sinal, continuaram a nos assistir.
Disse a Leônidas que nunca mais vou atravessar uma faixa de pedestres com o mesmo olhar, foi uma vivência que com certeza me trouxe muito crescimento pessoal e artístico. Nós, de cara limpa, cara a cara com o público, abertos a qualquer tipo de imprevisto, sem medo de ser surpreendido e de se expor.